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O Que é Terapia Baseada em Processos (PBT)?

Uma abordagem que parte dos processos que sustentam o sofrimento, e não de categorias diagnósticas fixas.

15 jun 2026 Joelio Santos, Psicólogo Clínico (CRP 12/29693)

Introdução

A Psicologia clínica tem debatido, cada vez mais, os limites de um modelo centrado apenas em categorias diagnósticas. Diagnósticos podem ser úteis, mas nem sempre explicam por que uma pessoa sofre e como ajudá-la.

A Terapia Baseada em Processos (PBT) surge desse debate, propondo que a intervenção seja construída a partir dos processos psicológicos ativos em cada caso.

Este texto apresenta os fundamentos da PBT, sua diferença em relação ao raciocínio diagnóstico e suas implicações para a prática clínica individualizada.

O fenômeno

Duas pessoas com o mesmo rótulo diagnóstico podem ter sofrimentos completamente diferentes em origem e função, e duas pessoas com sofrimentos parecidos podem receber diagnósticos distintos. Isso levanta a pergunta: o diagnóstico é o ponto de partida mais útil para o tratamento?

O mecanismo

Hofmann e Hayes (2019) propõem que o foco da intervenção seja nos processos de mudança — como evitação, fusão cognitiva, rigidez atencional e desconexão de valores — que operam de forma particular em cada pessoa. Barlow et al. (2017), com o protocolo unificado, também apontam para processos transdiagnósticos comuns a diferentes quadros. Assim, o que mantém o sofrimento não é a categoria diagnóstica em si, mas os processos específicos que a sustentam.

Implicação clínica

Na prática clínica, isso significa que o plano psicoterapêutico é individualizado desde o início: identifica-se quais processos estão mantendo o sofrimento daquela pessoa específica, e as intervenções são escolhidas com base nesse mapeamento — e não em um encaixe genérico a partir de um diagnóstico.

Conclusão

A PBT convida a olhar para a pessoa antes do rótulo, buscando compreender os processos que sustentam seu sofrimento de forma singular.

Se você busca um acompanhamento que parta da sua experiência concreta, e não de uma categoria genérica, essa lógica de trabalho pode fazer sentido em uma conversa inicial.

Referências

  • BARLOW, D. H. et al. (2017). Protocolo unificado para o tratamento transdiagnóstico dos transtornos emocionais. São Paulo: Sinopsys.
  • HOFMANN, S. G.; HAYES, S. C. (2019). The future of intervention science: process-based therapy. Clinical Psychological Science, 7(1), 37-50.

Quer conversar sobre o que leu aqui?

Este conteúdo é psicoeducativo e não substitui uma avaliação clínica individual. Se algo aqui ressoou com a sua experiência, o próximo passo pode ser uma conversa inicial.